Rapa Nui “Bomb” 2009. Foto:Akiwas
No mundo do Big Surf é difícil fazer cronograma de viagens, afinal é impossível saber com meses ou semanas de antecedência onde estarão as próximas grandes ondulações. Hoje, com o auxílio dos mapas da Web, os Big Riders conseguem chegar a qualquer lugar do mundo nas vésperas dos dias clássicos de ondas gigantes.
Rodrigo Koxa e Alemão de Maresias a caminho de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Foi desta forma que com apenas alguns dias de sobreaviso, os Big riders Rodrigo Koxa e Alemão de Maresias partiram para Rapa Nui (Ilha de Páscoa), de última hora, aterrissando na ilha junto com o Big swell previsto da Web.
Por Rodrigo Koxa

Desta vez eu estava em casa, no Guarujá, assistindo televisão, e a minha mulher Aline, que estava no computador disse: ”Tem uma bomba indo para a Ilha de Páscoa”. No mesmo instante fui conferir as condições e estas me pareceram tão boas que minha primeira ação foi entrar em contato com meu amigo Alemão de Maresias. Como ele é um profundo conhecedor da região, ficou bastante empolgado com tal swell.
Daquele momento em diante, passamos a viver a ansiedade dessa viagem instigadora. Verificamos diversos mapas da Web e no último momento decidimos que não poderíamos perder esta ondulação, pois as previsões marcavam um grande swell com vento privilegiado.
Convidamos o fotógrafo Akiwas, compramos as passagens e no dia seguinte já estávamos a caminho do swell.
Vento forte no lado da cidade. Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Logo quando chegamos a RAPA NUI, sentimos um vento muito forte por toda a Ilha. Vento esse que já revelava a grande ressaca que viria do oceano. Dessa forma, a energia de Rapa Nui estava ainda mais fascinante.
Alemão e Koxa com os Moais de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Os Locais nos receberam super bem. Foi bonito ver a amizade que o Alemão tem com os Rapa Nui. Após os cumprimentos, nos instalamos na casa da avó do nosso amigo Wilo.
Com o swell chegando, resolvemos alugar um carro para ficarmos em contato com as melhores condições de surf na ilha.
Swell chegando em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Os picos de surf em Rapa Nui são sinistros. Ficam em frente a paredões de pedras e são cheios de ouriços. Muitas ondas perfeitas, de 4 a 20 pés rodeiam a Ilha sem ninguém para surfá-las. Isso se torna compreensivo quando enxergamos enormes pedras puxando para fora da água. Por isso trata se de um surfe com extrema cautela e precisão.
Tubos solitários rodeiam Rapa Nui. Foto:Akiwas
Os locais surfam várias ondas da região, mas os melhores tubos, aqueles secos com baforadas, quebravam sozinhas pela ilha e sempre que eu perguntava de alguma onda quebrando, escutava como resposta: “Vai lá amigo, elas estavam esperando você chegar! (risos)”. Os Rapa Nui têm muito respeito pelas ondas, pela ilha e por seus ancestrais, que para eles, estão presentes a todo tempo e em todos os lugares.
Nossa idéia era surfar uma onda rara que só quebra quando a ondulação passa dos 20 pés na direção e vento certo. Como os mapas da web previam ondulação de 10 metros por 17 segundos, cerca de 35 pés, estávamos certos que a onda quebraria. O tamanho era suficiente, mas a direção da ondulação mudou na última noite e surfamos a “rebarba” deste swell em um outro pico alucinante da região, que os nossos amigos locais Rene e Wilo nos levaram.
Rodrigo Koxa na bomba de Rapa Nui sendo puxado por Alemão. Foto:Akiwas
A melhor opção no dia foi surfar essa esquerda que quebrava em frente às pedras. Nas condições que se encontravam as ondas, o tow-in foi a melhor maneira de aproveitarmos essa grande ondulação.
Alemão de Maresias na Bomba de Rapa Nui sendo puxado por Koxa. Foto:Claudia Penhafiel
Alemão de Maresias em Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
Nossa estrutura era um jet ski e um barquinho de apoio dentro do mar. Akiwas preferiu fazer as fotos das pedras, garantindo um ótimo trabalho. Com isso a nossa equipe funcionou na maior harmonia.
Fotografo Akiwas. Foto:Claudia Penhafiel
A onda era muito rápida e bem pesada, pelo fato da bancada ser muito rasa. Era um mix dos tubos de Pipeline e Teahupoo com o peso e o balanço de Maverick´s. Uma onda de difícil leitura, pois eram dois tubos distintos na mesma onda.
Alemão passando os bumps com categoria em Rapa Nui. Foto:Akiwas
O primeiro pico era a maior sessão da onda, com um tubo bem pesado de massa de água que muitas vezes acabava amassando na saída. Em seguida quebrava o segundo pico e este era uma nova sessão, que levantava mais à frente com um tubo menor, porém bem rápido com uma bela baforada.
Rodrigo Koxa acelerando para a segunda sessão. Sendo puxado por Alemão. Foto:Akiwas
Rodrigo Koxa acelerando para a segunda sessão em Rapa Nui. Foto:Akiwas
O desafio foi surfar deep o primeiro tubo a tempo de sair antes de amassar e ainda passar pelo segundo tubo.
Rodrigo Koxa acelerando em Rapa Nui. Sendo puxado por Alemão. Foto:Akiwas
Surfamos de “cordinha” para a prancha não ir para cima das pedras e isso dificultou o tempo dos resgates, pois a prancha pesada com chumbo acabava ficando de baixo da água bem na hora de subir no Slad do jet.
Resgate em cima das pedras em Rapa Nui Foto:Claudia Penhafiel
O Alemão surfou muito bonito, explorando sempre o limite das ondas. Mostrou intimidade com o pico também quando assumiu a pilotagem do jet, em minha segunda sessão de surf.
Alemão rasgando forte em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Obrigado Alemão! Energia muito boa. Obrigado aos Locais de Rapa Nui, em especial ao Wilo e Rene. Maururu.
Local tow surfer de Rapa Nui Wilo sendo puxado por seu parceiro Rene. Foto:Akiwas
Local tow surfer Rene (dono do jet). Foto:Akiwas
Depois do dia inteiro de altas ondas em um local de natureza tão mística e bela, é que percebemos o verdadeiro valor disso tudo. A cumplicidade de realização contaminou a galera presente no pico.
Estrutura de água. Revezamento de pilotagem e corda. foto:Claudia Penhafiel
Todos estavam ligados de alguma forma. O barqueiro, o Akiwas fazendo as fotos, a galera revezando a corda e pilotagem do jet em perfeita sintonia e os Locais com os turistas comemorando as ondas surfadas.
Locais acompanhando a big session.
Todo esse alto astral foi levado para um restaurante local onde a galera comeu e bebeu cerveja rindo a tôa.
No dia seguinte, como o mar baixou, eu e o Alemão decidimos surfar essa onda na remada. Akiwas optou em fazer as fotos nadando dentro da água, o que ficou um pouco difícil a ele devido a forte correnteza do local.
Dia seguinte da tow session. Remada. Foto:Akiwas
Alemão na remada dia seguinte da tow session. Foto:Akiwas
Koxa na remada dia seguinte da tow session. Foto:Akiwas
No ultimo dia que nos restou desta viagem, aproveitamos para conhecer cavernas místicas, Moais históricos e vulcões onde até hoje existem competições tradicionais locais como a do Homem Pássaro.Também escutamos lendas e suposições contagiantes das antigas civilizações da ilha.
Com certeza de todas as viagens que já fiz pelo mundo, em Rapa Nui que senti a mais intensa energia espiritual do ambiente. Olhando tudo o que as antigas civilizações construíram e até hoje permanece na atual.
Moai sagrado para os Rapa Nui. Foto:Akiwas
Para mim foi missão cumprida. Sou apaixonado pelo compromisso de buscar novos desafios. Foi isso que despertou minha paixão pelo Big Surf e trocar tudo pelo puro prazer de sentir o êxtase em situações extremas dentro do mar é algo sobrenatural.
Rodrigo Koxa admirando a energia do swell chegando em Rapa Nui. Foto: Akiwas
Esse prazer inexplicável de não medir esforços para estar presente em mais um dia especial de altas ondas, é o que nos mantém vivos espiritualmente. Esse surf é a nossa luz, e sendo assim, surfar ondas grandes é a energia que vamos sempre estar buscando, obrigado.
Por Alemão de Maresias – “Peti Etahi 2009”

No começo de Julho deste ano, Rodrigo Koxinha me avisou que em poucos dias entraria um grande swell em Rapa Nui. Como eu estava no aguardo de uma big trip, esta era à oportunidade para apostar minhas fichas.
Como Koxa colocou uma pilha boa, dois dias depois, já estávamos embarcando para Ilha de Páscoa junto com o fotógrafo e shaper Alexandre Akiwas que também acreditou na barca.
Esta foi minha quinta temporada em Rapa Nui, mas senti como se fosse à primeira. A época é de boas ondas, pois entram muitas ondulações no hemisfério sul.
Rapa Nui palco do big surf. Foto:Akiwas
Toda trip tem seu grau de ansiedade. Surfar ondas de mais de 20 pés, ou 6 a 7 metros, em um lugar desconhecido e junto a poucos amigos é inexplicável. Além de estar numa ilha, a mais de 3.000 km do continente mais próximo e com o oceano Pacifico a nossa volta. Quanta expectativa nos rodeava?
Koxa e Alemão no vulcão onde é realizado a competição do “Home Passaro”. Foto:Akiwas
Chegamos dois dias antes do swell. Foi o tempo para agitar o jet com o Rene, preparar as pranchas e rezar para dar tudo certo.
O grande swell chegou com hora marcada na ilha, batendo primeiro do lado da cidade com tanta força que chegou a virarem muitos barcos no porto principal. O agravante para surfar deste lado da ilha foi à direção do vento que estava ruim, deixando o mar “storm”, chegando a dar ondas de mais de 10 metros e vento de mais de 30 nós.
Swell “storm” do lado cidade de Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
Isto nos obrigou a surfar uma onda bem conhecida, mas pouco explorada. É uma esquerda que quebra em frente às pedras, perfeita para o tow-in. Ela é muito volumosa e só funciona se o mar estiver acima de 15 pés. Como estava terral, foi com certeza o melhor pico para surfar na ilha.
Tubão quadrado. Big swell em Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
O René, meu Grande amigo e piloto começou puxando o Koxinha, que já esteve na ilha, mas não havia surfado um swell como este na época e agora sim, estava surfando as verdadeiras ondas de Rapa Nui.
Koxa cavando em Big swell de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Mesmo sem conhecer a onda, ele foi o primeiro a ir para corda, com total disposição. Este cara é atirado e sabe surfar este tipo de onda muito bem, seja em Maverick’s, Teahupoo, Maresias ou Rapa Nui.
Rodrigo Koxa no tubo em Big swell de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Ele surfou com sua prancha 5’7 strech, quadri-quilha, muito boa. Os 10 kilos de peso só ajudaram a estabilizar e impulsionar ele pelas duas sessões da onda com atitude e categoria. O resultado são as fotos do Akiwas.
Rodrigo Koxa em Big swell de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Foi dentro do mar que percebi o real tamanho das ondas.
Alemão em Big swell de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Chegou minha vez e estava sem uma prancha adequada para aquele tamanho de onda. Cai com a prancha do Koxa e mesmo sem nunca ter usado, surfei como se ela fosse minha. Que prancha!
Alemão cavando em Big swell de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Peguei boas ondas e tanto o René como o Koxa puxaram com perfeição, pois em um lugar como este você precisa confiar no seu piloto.
Alemão cavando em Big swell de Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
O dia do surf estava mágico, com sol e terral.
Alemão tubo em Big swell de Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
No fim de tarde o Koxa me jogou numa onda especial. O sol estava na minha cara e mal dava para ver a parede da onda. Ao soltar da corda tratei de ir o mais reto possível para evitar o reflexo e então joguei para dentro. Foi quando rodou um tubo enorme e como o sol estava quase me cegando, fiquei o mais colado possível na parede. Segundos depois eu estava vendo uma das cenas mais belas do surf. De dentro do tubo eu contemplava a onda rodando em perfeita harmonia com o por o sol. Este foi um dos momentos mais mágicos da minha vida.
Alemão no tubo em Big swell de Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
Sou grato aos amigos Rapa Nui, pela hospitalidade e por sempre me acolherem com carinho.
Rapa Nui na pescaria durante o swell. Foto:Akiwas
Agradeço a South to South pelo suporte, ao René Varas pelo jet, ao Wilo Vaiaori pelo barco, ao Akiwas e Claudia Penhafiel pelas fotos, ao Koxa pela puxada, a nossas famílias que nos apoiaram e a DEUS que abençoou cada momento desta barca.
GALERIA DE FOTOS “RAPA NUI 2009″
Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Koxa e Alemão conferindo outras ondas de Rapa Nui. Foto:Akiwas
Koxa em Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Alemão em Rapa Nui 2009. Foto:Claudia Penhafiel
Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Alemão e Koxa nas cavernas que desembocam no mar. Foto:Akiwas
Alemão e Koxa no visual do final da caverna no penhasco. Foto:Akiwas
Alemão cavando em Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Koxa cavando em Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Galera de Rapa Nui no barco de apoio.
Koxa em Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Alemão em Rapa Nui 2009. Foto:Claudia Penhafiel
Rodrigo Koxa em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Onda Rapa Nui 2009. Foto:Akiwas
Koxa em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Alemão em Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
Alemão em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Koxa em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Alemão em Rapa Nui. Foto:Claudia Penhafiel
Visual de cima do vulcão. Foto:Akiwas
Koxa em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Koxa em Rapa Nui. Foto:Akiwas
Valeu Galera! Maururu RAPA NUI ! Obrigado….. ”KOXA e ALEMÂO”














GALERA DO TOW-IN MARESIAS. Fonte:waves.com.br Foto: Munir El Hage.
TAIU amarradão, narrava os tubos do palanque. Ao lado André Bianchi, organizador do evento. Foto: Munir El Hage.
Alemão de Maresias em tubo nota 10. Fonte:waves.com.br foto:Gil Hanada
Alemão de Maresias acelerando. nota 10. Fonte: waves.com.br foto: Gil Hanada.
Rodrigo Koxa acelerando em tubo NOTA 10. FONTE: waves.com.br Foto: Munir El Hage.
Rodrigo Koxa lá dentro em tubo nota 10. FONTE: waves.com.br foto:Gil Hanada
Garret Mcnnamara Brasil. FONTE: waves.com.br Foto: Munir El Hage.
Garret, Kealii e Twiggy
Eraldo Gueiros Fonte: waves.com.br Foto: Munir El Hage.
Caixa d’Água Fonte:waves.com.br Foto: Munir El Hage
Erik e Koxa ficaram na 4-colocação do campeonato por ser a dupla segundo lugar das baterias da semi-final com a menor pontuação.





































































































